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October 24, 2017

           

Thais Valim

Antropóloga, Universidade de Brasília

      No segundo semestre de 2015, foi registrada uma repentina elevação de casos de microcefalia no Brasil, especialmente no Nordeste. Segundo dados da Secreta...

October 24, 2017

Aissa Simas

Graduanda em Ciências Sociais, Universidade de Brasília

Diego foi o segundo bebê a nascer com microcefalia no Estado de Pernambuco, no contexto da epidemia do zika vírus, em agosto de 2015. Pouco se sabia então sobre a associação entre o vírus e as malformaçõ...

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Apresentação

Esse blog tem vários objetivos.

Para começar, ele pretende manter viva a discussão sobre a epidemia do vírus Zika e sobre suas consequências imediatas para crianças, mulheres, famílias e comunidades diretamente atingidas. Manter viva a discussão é uma escolha política importante nesse momento, sobretudo quando tantos outros atores, como a mídia, os governos, os serviços de saúde por exemplo, têm progressivamente se retirado de cena.

O blog também tem intuitos pedagógicos, já que envolve estudantes e antropólogas em (constante) formação. Escrever textos mais curtos é um jeito de provocar a formação acadêmica mais convencional, que geralmente preza por formatos mais longos, verborrágicos, sisudos e prolixos. A ideia aqui é exercitar outras formas de contar histórias, com diálogos, memórias, etnoficção etc. Contudo, embora os textos sejam concisos, não desejamos perder a densidade e emoção. Escrever, escrever de muitas formas, escrever para descobrir outros estilos textuais. Tudo isso atiça a reflexão e a criatividade, contribuindo para termos antropólogas mais versáteis e comunicativas na praça.

As histórias se baseiam em dados empíricos e etnográficos, produzidos durante incursões de campo realizadas na grande região metropolitana do Recife, onde a epidemia foi tão implacável. Nossa equipe de professoras e estudantes tem ido ao Recife todo semestre, conhecido, visitado, encontrado, dialogado e convivido com mulheres cujos filhos nasceram com a Síndrome Congênita do Vírus Zika. São elas a nos contar, em primeira mão, em primeira pessoa, como é estar no epicentro de todo esse intenso fenômeno. É a partir de suas histórias, sempre veladas para evitar exposição e constrangimento, que surgem esses textos. São dados etnográficos que inspiram nossos escritos aqui. O blog, portanto, já apresenta resultados da pesquisa em curso. 

Assim, o blog é uma forma de produzir conhecimento, de construir a universidade. Mas em contato direto com uma epidemia, tanto a partir de quem a vive no cotidiano, quanto para quem dela quer saber mais. Um blog popularizando e fazendo chegar mais longe o que uma antropóloga, um departamento de Antropologia, uma universidade pública estão produzindo hoje em dia no Brasil.

Bem-vindas. Se acheguem. Vamos contar histórias e conversar.

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